domingo, 9 de novembro de 2008

2° Campeonato Pan Americano de Xadrez Escolar – São Sebastião do Paraíso/ MG

Frase da semana:
"Leva um longo tempo para a gente se tornar jovem."- Pablo Picasso

Ainda que o dia 12 de Outubro, Dia das Crianças, já tenha passado, vamos falar sobre elas, mas especificamente do 2° Campeonato Pan Americano de Xadrez Escolar que aconteceu, entre os dias 26 à 28 de Setembro, na pacata cidade de São Sebastião do Paraíso - MG. Contudo, antes de relatar o torneio em si,quero deixar aqui um registro:

Lembro-me, e não com pouca, mas sim com muita e agradável saudade - pois a saudade, às vezes, é agradável - do tempo em que, quando comecei a jogar, “levavam-me” para os torneios. Devia contar, mais ou menos, com uns 14, 15 anos, no máximo, e a mim era impensável enfrentar o mundo sozinho... Sempre que havia um torneio interessante e que eu, ou algum outro “moleque”, queria jogar, um dos “veteranos” do clube, ou da equipe, era escalado para ir ao torneio: às vezes para jogar também, mas em outras somente para acompanhar a “garotada” mesmo. Bons tempos...

Devo, não só por obrigação moral e ética, mas por certo saudosismo – que já citei - e mesmo orgulho e romantismo piegas – que, na juventude, nunca é demais – lembrar que esse papel de tutor foi cumprida, e muito bem, por quase todos os veteranos do clube, mas, justiça seja feita, foi o excelentíssimo senhor Fernando César Frare, o famoso Neb, que mais desempenhou esse papel para com a minha “Geração”. E entre as valiosas explanações sobre xadrez, quanta sabedoria de vida...

Tive, por tanto, em várias e várias oportunidades, o incorruptível Neb como o meu “Responsável” – aquela figura que, na ausência dos pais, responde pelo menor. Portanto, olhando agora, do alto dos meus 24 anos – adentrado, portanto, em perigosa idade – reparo que muitas coisas de exemplo que tive se refletem hoje, em mim – não só no enxadrista, mas principalmente no homem. Não raro, sou apanhado com algumas atitudes que o Neb tinha com a gente. Pois bem: quem diria? Hoje, cabe a eu cumprir o papel que ele teve comigo... É... Estou ficando velho...

Bom, voltando ao torneio em si, minha missão era, aparentemente, bem simples: Levar o jovem Rafael Damus Masselani, vulgo Alemão, para disputar o torneio e, na medida do possível, trazer a criança viva para o aconchego dos pais. Alemão é um bom garoto, talentoso até, mas muito cabeça-dura (o que às vezes é até uma virtude, mas quase sempre um defeito). Bom, ele ainda é jovem e acaba aprendendo... E nesse quesito, noto que ele tem apurado o desejo de conhecimento. Até demais, aliás. Durante os três dias que passamos lá, Alemão me perguntou sobre praticamente tudo. Já tinha me esquecido como os quinze anos são insuportáveis... Exemplos:

“-Quanto é, em quilômetros, um ano-luz?” (Sabe lá porque perguntar uma coisa dessas para mim)
“- Vivaldo, o que é afinco?” (Vocabulário... Vamos ler, pessoal!)
“- Vivaldo, o que é macabá?” (ele estava lendo Iracema, do Alencar...)
“- É... E taba?” (Alencar, Alencar...)
“- Você acredita em Deus?” (What?! Isso é lá pergunta que se faça?!)
“- Que cidade é essa?!“ (Ainda era Jaboticabal...)
“- Você acha que o tempo existe?” (Não. Eu acho que o dinheiro existe)
“- O que é anti-matéria, Vivaldo?” (Spock! Kirk! Essa garotada nunca assistiu Jornada nas Estrelas?!)
“- O que é niilismo?” (duas vezes!)
“- Não seria o ponto, uma área mínima, Vivaldo?!” (Aí, já é palhaçada...)

Conclusão: Aconselho a família do menino contratar o Google e não um professor de xadrez.

Em suma, alemão jogou um bom torneio, terminando em uma honrosa 5° colação na categoria sub-15. Evidentemente, ainda há muito que se estudar e aprender. Sobretudo numa coisa: na vida. Mas ele aprende... ô, se aprende!

Também devo relatar que foi curioso “visitar” um torneio desses: me senti dentro do filme Lances Inocentes, igual aos pais que o filme relata – levando fumada dos árbitros, tentando ver o que estava acontecendo e, claro, conversando com outros pais:

“- O Marquinho é muito nervoso, tadinho...
- O meu é calmo... Até demais...
- Seu?! Você...? Qual é o seu?!
- Aquele loirinho ali, maior que eu.
- Aquele?!

- É...
-...”

A paternidade é mesmo um dom. GM ou capivara: pai é tudo igual.

Sobre a organização do torneio, deixo aqui minhas congratulações ao AI Mauro Amaral, ao GM Darcy Lima e ao AI Olintho Meireles: apesar de alguns atrasos, e contratempos, esses caras ficaram correndo o tempo todo! – principalmente o senhor Mauro Amaral. As palestras ministradas durante o torneio – e que foram abertas para todos – estiverem acima das expectativas. Em especial a de Júlio Lapertosa, da Casa do Xadrez, de BH, e a do professor Uvencio Blanco, da Venezuela, diretor-presidente do comitê de xadrez escolar da FIDE – uma "sumidade no assunto" - Mauro Amaral.

No mais, deixo alguns sucintos lembretes sobre o torneio, para não perder o costume:

- praticidade: enquanto eu constava com apenas uma mochila, Alemão levou uma mala quase do tamanho dele. Jovens...

- seguimos essa rota:

Matão -> Jaboticabal -> Ribeirão Preto -> São Sebastião do Paraíso (haja passagem pra reembolso!)

- Quando chegamos para a primeira rodada, devido ao atraso, tirei um cochilo ali mesmo, no salão, no chão. "O sono dos Justos"...

- Alemão estreiou na mesa 77 (setenta e sEEEte!)

- No segundo dia, enquanto Alemão degladiava, eu durmi: até o meio-dia

- Na noite de sábado, um amigo - que chamarei aqui de "Carioquinha" - me fez um convite irrecusável. Quando cheguei ao hotel lá estava, na chave do quarto... Fico me perguntando: o que passou na cabeça do cara do hotel. E mais: o que passou na cabeça do Carioquinha, pa fazer uma coisa dessas. Que palhaçada... Bom, depois, apesar de andarmos feito camelos, a noite foi animada. Haja uísque e guaraná. Sobre essa noite devo lembrar que o lugar -um belo forró da mais alta classe- evidentemente, não passava cartão de crédito (marca registrada do amigo em questão) e que não me lembro de minhas investidas mal sucedidas. Lembro-me, sim, de ter errado o caminho pro hotel - e olha que eu só precisava andar em linha reta. No final das contas, vale a máxima: "Passarinho que acompanha morcego, acorda de cabeça pra baixo!"

- Na volta, na rodoviária, Alemão queria comprar um Guaraná de dois litros para levar no ônibus... Sua justificativa: "Eu bebo um litro de guaraná!". Sem comentários. Levou o de 600ml.

- Coincidências: Singularidades

Isso merece um capítulo à parte.

1°) No dia de ir para o torneio, encontramos Renan Brandão, na rodoviária de Ribeirão Preto, indo para o torneio. Fato que se repetiu na volta.

2°) No sábado, dia do Forró, Carioquinha perguntou em um bar -daqueles bem copo sujo. Pense num bar feio. Pensou? Aquele era pior - onde havia um lugar legal pra ir. Fomos pela indicação dos nobres ali do estabelecimento. Evidentemente, o forró que fomos era o supra-suma da elegância - assim como o bar. E adivinha quem encontramos lá, depois?! Os mesmos bêbados, digo, os mesmos nobres que estavam no bar...

3°) Encontrei, no chão da rodoviária de São Sebastião do Paraíso um peão branco, de madeira (vide foto). Pensei: "Quem teria perdido esse peão?! Gambito Cometa ou Empresa Cruz?! Que absurdo..."

(o peão está sendo bem tratado, contudo, por ser de madeira, não está se dando muito bem com minhas peças de plástico. A quem interessar possa, e quiser reaver o pequeno, fica o contato: xadrezdepressao@hotmail.com)

4°) "O mundo é grande pequeno" já dizia o mineiro Drummond. Na volta, acabei eu - não foi culpa do Alemão, quem diria! -, esquecendo uma sacolinha de jogos dentro do ônibus, com dois jogos de peças e dois relógios digitais! Enquanto uns perdem 1 peça, eu perdi 64 peças! que papelão... Contudo, depois de muita conversa, muitos cartões de crédito de celular, consegui reaver tudo. Seu Ruy, motorista da viação Itamaraty, muito obrigado! Mesmo!

5°) "O mundo é cheio de pessoas. E isso é mau" dizia um amigo meu. Lá no torneio, no último dia, resolvi dar o "ar da graça" em uma mesa de ping. E tudo corria muito bem - ficar na mesa dá certo "status" - até que depois de ganhar duas partidas em que utilizei o velho e bom estilingue (só utilizei. Não ganhei por causa deles) lembrei-me (sabe lá porque) que quando eu ainda era um jogador de sub (sub 15, 18, etc) um tal Daniel Baldim, de Bauru, utilizava com muita freqüência tal artifício. E, naquela tentiva de ludibriar a molecada com quem eu estava jogando, pela falação, comecei a citar os méritos bibliográficos de Baldim sobre tal lance... A molecada começou a dar risada. Motivo? Os dois garotos com quem eu estava jogando ERAM DE BAURU! A ironia é o motor do mundo...

Bem, é isso aí. No mais, fica algumas fotos.

Forte abraço! (montanhas de Minas...)
(montanhas e placa de minas...) (Alemão na estréia: Mesa setenta e sEEEte! Engraçado que ele e o adversário estão olhando para o nada... A partida devia estar boa!)

(da esquerda para a direita: Alemão, L. Vivaldo, Vescovi, Laís Pimentel. Eu queria tirar essa foto, contudo, estava com vergonha... Mas a Lais me convenceu! Aliás, merecia. Vescovi também é um pai aplicado: tinha até binóculos para ver as partidas dos filhos!)

3 comentários:

Marcel Utiyama disse...

Caro Vivaldo!
Vejo que o Sr precisou mais do que talento enxadrístico para acompanhar o jovem! Alguns conhecimentos de física e do famoso NADA!

Já a última foto pe visível o seu constrangimento, aliás o único sorrindo é o Geovani!

No mais desejo boa sorte nos abertos e peço na medida do possível uma cobertura do peludo que em breve começa a levar fumo nas Olimpiadas (se já não levou! haha)

Um abraço!

gbsalvio disse...

Vivaldo, com atraso , mas não posso deixar de te dizer a respeito do que aconteceu com o MB em um dos Jogos Abertos que ele jogou por Itápolis, aqui em Araçatuba. Pergunte a ele MB, quais as perguntas de seus 3 jovens parceiros de equipe o fizeram durante os Jogos. Ah, os "parceiros" de equipe, Agnaldo Ap. Alves, Paulista e Daniel Thomazin....

gbsalvio disse...

Vivaldo, com atraso , mas não posso deixar de te dizer a respeito do que aconteceu com o MB em um dos Jogos Abertos que ele jogou por Itápolis, aqui em Araçatuba. Pergunte a ele MB, quais as perguntas de seus 3 jovens parceiros de equipe o fizeram durante os Jogos. Ah, os "parceiros" de equipe, Agnaldo Ap. Alves, Paulista e Daniel Thomazin....