terça-feira, 28 de agosto de 2007

Carta Aberta a Fernando Vivaldo.


Querido irmão, primeiramente, como não poderia ser diferente, parabéns. Feliz Aniversário. Mais uma primavera se desfaz sobre sua cabeça desatenta. Sim irmão, estamos velhos. Você bem mais do que eu, é verdade.

E tal fato, bom leitores que somos turvando nossas vidas em meio aos livros (um gosto que acho que herdei de você) torna impossível não olhar para trás (e quem sabe até para frente) e ver (ou melhor, ler) alguma coisa que não deixe uma marca indivisível nisto tudo. É como se algumas linhas pudessem ser o marcador temporal incomensurável de um tempo que não voltará mais. Repito: estamos velhos. Eu, por exemplo, já não toco a Lira dos Vintes Anos e você já começa a disparar na frente das Balzaquianas. Num piscar de olhos estaremos lembrando as Memórias de Nossas Putas Tristes (não é da safadeza que falo. Bem, você entendeu).

E não posso deixar de lembrar, nesta data tão especial, por mais que você não agüente mais ouvir, os célebres versos de Drummond:

“Sinto que o tempo sobre mim abate
sua mão pesada. Rugas, dentes, calva.
Uma aceitação maior de tudo,
e o medo de novas descobertas.”


E sabe por que? Estamos ficando mesmo velhos. E não falo de saudosismo melancólico como se estivesse Em Busca do Tempo Perdido. Muito menos de algum desespero tão alucinado que nos deixaria frente aO Suicídio. Não é para tanto, certo? Até por que, você não enfrentará Cem Anos de Solidão. Eu garanto. Ainda que vivamos na Era dos Extremos, pode ter certeza que tem um irmão aqui. E não somos nenhuns Irmãos Karamázov e você bem o sabe.

Curta, meu querido irmão, Os Prazeres e os Dias. Pois num desses dias, A Hora da Estrela chega, e aí, não tem mais jeito. Então, por isso, aproveite. E não ouse nenhuma Metamorfose. Você está bem do jeito que está. E não digo isso por camaradismo, meu Camarada, mas acho mesmo que você é um grande cara.

E já que estou entrando na parte das Confissões, apesar de não ser nenhum santo, confesso que curto muito ser o seu irmão. E não sou só seu fã no Orkut, mas na vida real também. Aliás, principalmente na vida real. Que ultimamente não anda tão real assim... Bom, sei lá: Bem Vindo ao Deserto do Real. E disso tudo, sabe o que acho? Estamos ficando velhos.

No mais, Falta-nos O Capital necessário para uma vida completamente ociosa, pois é verdade que nossa ética, nem tão protestante, muito menos ao espírito capitalista (talvez sim, mas iremos sempre continuar batendo o pé dizendo que não) a muito tempo é pragmatismo utópico romântico de nossa parte.

Bem, é isso. Chega de sentimentalismos. Não ando aturando bem a idéia de me traduzir em palavras. Acho que é O Processo do envelhecimento. E não vou falar nada sobre literatura, e livros, por que nós já conversamos muito sobre isso. Além do mais, você deve estar cheio de coisas para fazer e eu também. Parabéns novamente. E torno a repetir: estamos velhos. E só para lembrar: você mais do eu.

Até mais.

Sucesso dentro e fora das 64 casas (tenho que dizer isso a todos os enxadristas aniversariantes! Será TOC?! Ah! E ia me esquecendo! Goethe também nasceu no dia 28 de Agosto! Logo ele! Pai de Fausto! Coincidência?! Acho que não!).

Leonardo Vivaldo.

3 comentários:

Ellen Giese disse...

Oi Leonardo,

sempre dou uma passadinha por aqui. Aprecio sua maneira espontânea e divertida de expressar seus sentimentos e suas percepções.

Abraços

Anônimo disse...

Querido irmão,
Esse foi o melhor presente que ganhei no meu aniversário;
Tá bom, tá bom - foi o único também! rsrs
Tenho certeza que sou o maior fã do seu blog e também o mais invejado.
Pois sou o único que, além de “leitor participante”, também é irmão do já ilustre e talentoso dono do blog!
Beijos,
Amo vc!
Vivaldão ou o velho Vivaldo!

Anônimo disse...

Vivaldinho,
Sua carta mexeu com os mais profundos sentimentos q tenho... Ja li inumeras vezes, transmiti a outros amigos.. fiquei com ''inveja branca'' de ter um irmao assim, rs... É lindo o sentimento que vos une! Parabens aos dois, e saibam q fico feliz em saber que pude conhece-los.
bjs
Eliana de Souza